Bens que vem para Males

lente_01Muito se fala hoje em dia sobre evolução tecnológica. Sempre disse, desde a época que em era proprietário de lojas de fotografia, que o Brasil era um pais que não possuía cultura fotográfica.

Com isso, eu queria dizer que não colocávamos a fotografia no mesmo patamar de importância que outros países colocavam, como Japão e Estados Unidos. Para se ter uma idéia comparativa, antes do advento e da massificação da fotografia digital – segundo a revista FHOX – na época do bom e velho filme 35mm de 24 poses –o consumo médio no Japão era  de seis filmes/mês por habitante; nos EUA de cinco filmes/mês por habitante; enquanto aqui no Brasil, não passava de três filmes/ano por habitante – quer dizer – o consumo aqui na Terra Brasilis era infinitamente menor. Eu mesmo cheguei a receber e revelar em minha loja – por diversas vezes – filmes que tinham imagens de aniversário, dia das mães, festa junina e dia dos pais; isso tudo num único filme de 36 poses.

Lógico que não podemos exigir um consumo maior de um item considerado supérfluo em um país onde o arroz e o feijão faltam na mesa de grande parte da população, mas com a entrada do digital, o consumo de câmeras – e celulares com câmera – aumentou numa velocidade galopante transformando o Brasil num país grande consumidor de fotografia, embora o volume de impressões continue baixo.

Isso tudo estou falando para vocês, com o intuito de ilustrar um contra-senso. Apesar de fotografarmos mais, nos preocupamos muito pouco com a qualidade do material em si. Chamo isso de banalização da fotografia pois, a quantidade de “profissionais” que apareceram (e aparecem) no mercado a cada dia é tão grande, que é bem possível que em bem pouco tempo tenhamos um “profissional” em cada família brasileira.

Um Profissional – no mais alto conceito da palavra – tem anos de prática, fotografando para outros profissionais mais renomados – às vezes décadas. Ele tem que ter realizado diversos cursos e investimentos em objetivas e computadores; participado de workshops e feiras; estar antenado com o que existe de mais novo e – principalmente – ter a credibilidade de anos de experiência.

A minha intenção com esse texto, é para que tenham mais cuidado na contratação dos profissionais que estarão documentando o dia mais importante de suas vidas. É o início de uma nova família e o registro documental disso, é uma responsabilidade enorme.

Imaginem todo o gasto com um casamento. Não vamos falar de valores, mas de sentimentos. Não importa se seu orçamento total é de R$10.000,00 ou de R$100.000,00. O valor que essas cifras representam para você é o mesmo. O cuidado que vocês tiveram com todos os itens, desde o vestido, igreja, locação do carro, decoração, Buffet, música, lembrancinhas … tudo.

Tudo isso pode ser perdido apenas em vagas lembranças, se a documentação for feita por uma pessoa sem responsabilidade; um aventureiro que trabalhou a vida toda em outra área e acha que só porque começou a fotografar se auto-intitula PROFISSIONAL.

Fotografia Social é uma coisa séria e somente deveria ser exercida por pessoas que tivessem comprometimento real com a profissão. Por fotógrafos de alma e de sangue e não por aventureiros de plantão oriundos de diversas profissões – sem se fixar em nenhuma – e que, munidos de suas câmera e moral descartáveis, vêem na fotografia social um grande nicho para vender ilusões e castelos de fumaça a clientes incautos sem dar absolutamente nada em troca.

Lembrem-se: “Fotografar, é eternizar de um momento significativo especial e único. O momento especial passará e, com certeza, não voltará. Cabe a vocês decidirem se ele vai ser eternizado ou não.”

Um excelente dia para vocês

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